À conversa com a organização do Festival Bons Sons!


Estivemos à conversa com Luís Ferreira, directo artístico do festival Bons Sons, que este ano vai decorrer de 14 a 17 de Agosto no local de sempre e habitual - Aldeia de Cem Soldos em Tomar.

Entre um copo de Mouchão, o resultado descontraído desta entrevista foi este:

AL: A julgar pela diversidade de concertos, de diferentes géneros musicais e linguagens artísticas, o festival consegue corresponder às expetativas de várias gerações. Ou seja, este é um programa para toda a família?

LF: Sim, "Viver a Aldeia" é uma experiência intergeracional. Por isso, desde a primeira edição (2006), o BONS SONS apresenta um programa eclético que preenche os vários interesses das gerações que nos visitam. A vivência em família é também complementada com o programa paralelo: música para crianças, passeios de burro, feiras, cinema e arte urbana. Como o recinto do festival é, efectivamente, a aldeia, esta confere-lhe um ambiente bastante orgânico que cria ambientes para a verdadeira partilha e, simultaneamente, cria recantos para quem pretenda ter uma experiência mas individualizada. Nesta edição, também esperamos conseguir criar as condições mínimas para estarmos acessíveis a pessoas com mobilidade reduzida. O BONS SONS deverá ser para todos aqueles que gostam de música e a queiram experienciar num local tão especial como Cem Soldos.

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AL: Mais do que um festival, o Bons Sons é também um projeto cultural. Para vós, e tendo em conta esse vertente, há algo que queiram destacar?

LF: Actualmente, existem mais de cem de festivais mas a única coisa que nos liga a muitos deles é a palavra festival - muitos são projectos de comunicação e outros focam-se apenas no entretenimento. O Bons Sons é muito mais do isso. Queremos e trabalhamos para criar um projecto de cultura viva que tem os vários efeitos sistémicos de um evento cultural, que cria um legado e produz mudança concreta no dia-a-dia das pessoas. O BONS SONS foi o primeiro festival de Verão que se dedicou em pleno a ser uma plataforma de encontro e divulgação da música portuguesa, criando as condições dignas para a sua apresentação e apreciação. Destacamos particularmente a seriedade com que trabalhamos o nosso programa: a não repetição de grupos de 5 em 5 edições, a tentativa de sermos uma mostra do que melhor se faz hoje em Portugal e, acima de tudo, apresentarmos um programa onde a descoberta é um dos principais objectivos. A aglomeração de propostas musicais, sem articulação entre elas, sem uma qualidade coerente por todo o cartaz e sem estimular a descoberta do público, não nos faz qualquer sentido. Das propostas que apresentamos, muitas delas são projectos que também estão a desbravar novos caminhos para a música e isso interessa-nos muito.

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AL: O cartaz do Bons Sons é um dos mais completos a nível nacional. Quais as vossas expetativas para este ano? Algum artista/banda que vos tenha dado particular satisfação garantir no cartaz?

LF: Vamos ter muitas surpresas. Muitos dos artistas que vão ao BONS SONS já estão imbuídos do espírito do festival. Vão com gosto e sabem que é sempre um momento muito especial para quem está deste lado do palco. Muitos quiseram ver o alinhamento do festival para prepararem algumas partilhas de palco entre músicos de grupos diferentes. Contudo, essa partilha ficará apenas guardada na memória de quem a viver lá, na aldeia.

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AL: A tendência recente mostra que tem existido uma proliferação de festivais dedicados à música nacional, em que os vários artistas e bandas vão estando presentes. Não temem que isso possa levar menos gente a Cem Soldos? Ou têm alguma estratégia para mobilizar o público?

LF: As modas dos festivais não vêm de hoje. Já passámos pela moda dos festivais de dança contemporânea, de jazz, medievais, de música do mundo e agora de música portuguesa. Nós nunca estivemos num lugar privilegiado e batalhámos por este ideal quando a música portuguesa ainda era algo completamente desconhecido. Conquistámos o nosso lugar graças ao facto de comunicarmos para o nosso público e este compreender o que lhes queremos propor. Acreditamos que o nome BONS SONS, o nosso programa, Cem Soldos e o espírito que move este festival sejam razões suficientes para continuarmos a atrair o nosso público. Claro que a concentração de vários festivais não beneficia ninguém mas acreditamos que as pessoas já têm as ferramentas suficientes para perceberem a diferença entre as modas e os projectos que têm efeitos concretos. Se o público comparar bem, o Festival Bons Sons oferece mais de 55 concertos ao longo dos 4 dias, e poucos festivais nacionais se poderão gabar de um cartaz tão prolífico com criadores portugueses de primeira água.

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AL: Nesta altura, o festival já se tornou indissociável da aldeia de Cem Soldos. Está no vosso horizonte proceder à procura internacional, isto é, captar visitantes estrangeiros?

LF: Temos trabalhado nisso mas ainda de uma forma tímida. Temos tido alguns parceiros internacionais e disponibilizamos a nossa informação em várias línguas. Esse será um dos grandes desafios do BONS SONS para o próximo ciclo. Nestas primeiras 5 edições o nosso objectivo era conquistar e criar público nacional para a música que cá se faz.

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AL: Alguma vez ponderaram a hipótese do festival se realizar noutro local, a não ser Cem Soldos? Ou é algo que ficará associado para sempre à marca “Bons Sons”?

LF: Nós somos de Cem Soldos. A equipa e a associação que organiza o festival nasceu ou vive em Cem Soldos. Esta é outra das diferenças que nos torna únicos no panorama dos Festivais de Verão, tornando o BONS SONS num festival mais humano, próximo das suas gentes e abrindo generosamente a aldeia aos visitantes. O festival foi criado para celebrar o 25º aniversário da associação cultural local – o SCOCS – e está estruturado como qualquer outro projecto do plano de actividades da associação. Assim se compreende que não nos faz qualquer sentido retirar o festival de Cem Soldos. Isso seria outro projecto. Poderia até ser bom mas não era o BONS SONS.

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AL:  Nas quatro edições anteriores, o “Bons Sons” recebeu 99 concertos e 100 mil visitantes. Esta vai ser a quinta edição. Após isso, qual o futuro? Pensam eventualmente numa data para a edição final do festival, ou isso dependerá sempre do público e da música nacional que se vai produzindo? Ponderam também passar a ser um festival anual?

LF: Neste momento ponderamos tudo, menos sair de Cem Soldos e deixar de trabalhar a música portuguesa. Estamos a fechar o primeiro ciclo de 5 edições e sentimos que no actual contexto temos que repensar a forma para cumprirmos melhor os objectivos iniciais do BONS SONS. Contudo, essa reflexão só poderá ser feita após a conclusão deste ciclo. Até lá estamos completamente focados no desempenho e sucesso desta edição que muito contribuirá para o nosso entusiasmo para o desenho do futuro do Festival.

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AL: Para quem se estreia este ano no “Bons Sons”, algum conselho que queiram dar?

LF: Poderá ser um cliché mas venham completamente disponíveis para viver a aldeia em toda a sua dimensão. Quando passarem as barreiras da “aldeia Asterix” estejam disponíveis para partilhar música, um copo de Mouchão (bebida local) e uma história com um desconhecido. Nós somos uma aldeia que acredita e que, por acreditar, faz! Venham Viver a Aldeia connosco.

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Alexandre Lopes


Conhece o cartaz completo do Bons Sons, AQUI!

Para terminar deixamos-te o spot do festival:

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