Estilisticamente, os No Age (Randy Randall nas guitarra, Dean Allen Spunt na bateria) são uma banda com pouco amigos, solitária, algo importuna até. Fazem canções de travo pop, curtas, melodiosas, mas têm o espírito e o corpo consagrados à heterodoxia punk dos Urinals, Descendents, Minutemen, Sonic Youth, Ramones, Lync ou Sebadoh. Por outro lado, também não seguem a cartilha dos anos 70/80: cobrem tudo com um som radioso onde a distorção é cor e os efeitos dos pedais se libertam, como seres animados, das guitarras. Imaginem uma banda punk-rock dentro da barriga de “Loveless” dos My Bloody Valentine. Ou a deixar as guitarras à mercê da ambient music. São os No Age. Há outros nomes próximos deste eclectismo pós-indie rock, que reconhece a electrónica, o ruído, os devaneios instrumentais e o sublime na canção pop-rock. Os Mercury Rev, os Flamings Lips, os Sonic Youth ou os Japanther, a banda com quem os No Age, porventura, mais têm em comum: partilham a mesma energia adolescente, a mesma filiação à tradição do rock independente; e foram ambos, um dia, soprados pelo vento dos Lightning Bolt. De resto porém, os No Age são um caso único. Pouca gente sabe hoje o que fazer com a história de “Our Band Could Be Your Life”. Eles sabem e fazem. Com melancolia e açúcar. E pouco importa a indiferença da revista The Wire ou as palavras jocosas de David Keenan (cujos ouvidos necessitam de uma urgente reabilitação). Estão enganados. JM
THEE OH SHEES
Primeiro que tudo, um esclarecimento: o rock and roll nunca deixou de dançar. Nunca deixou de ser generoso com o corpo. É verdade que alguns dos seus principais descendentes (punk rock, metal, pós-punk, noise, indie) preferem passos mais “elitistas, mas a diversão e a alegria, partilhadas colectivamente, permanecem no coração do género. E não são uma memória remota. Basta recordar os músicos que por aí andam a recuperar o roll para o rock e sem revivalismos “fascistas”. Pela desbunda e o humor, para trocar as voltas aos sons e, sim, pelo amor à história da música popular. Os nomes que participam na festa são muitos, mas por ora fiquemo-nos pelos Thee Oh Sees do incansável John Dwyer senhor de respeitadíssimo currículo. Senão vejamos: foi uma espécie de roadie dos Lightning Bolt (topem-no no DVD “The Power Of Salad And Milkshake´s”), fundou os Landed, banda seminal da cena de Providence, Rhode Island e fez parte dos Coachwips e dos The Hospitals. Resumindo: é já uma pequena lenda do underground dos EUA deste século. Quanto aos Thee Oh Sees representam a mais recente (a final?) encarnação musical da sua persona. Uma banda que muda furiosa e descontraidamente de nome e de formação. Um verdadeiro work-in-progress dedicado ao garage-rock. Que absorve restos de electrónica, folk e noise, fantasmas da new-wave e do pós-punk (dos The B-52s aos The Fall) e, claro, está rock com roll. De sorriso esgalhado e corpo solto na confusão. JM
Galeria Zé dos Bois
No Porto (26 de Maio) Plano B 22h Entrada: 12/15€ | reservas: [email protected] | venda antecipada: Louie Louie, Jo JO's, Lost Underground e Matéria Prima
Em Lisboa (27 de Maio) Galeria Zé dos Bois 22h Entrada: 15€ | Bilhetes disponíveis antecipadamente nas lojas de discos Flur e Louie Louie