Há forças nas entranhas da terra cujo avassalador poder ainda desconhecemos e que não são possíveis de prever ou antecipar. O mesmo acontece na música. Felizmente, neste caso a única coisa que eventualmente pode ficar arrasada com tais fenómenos é a inércia. Caso claro: Fogo Fogo, o projecto de Francisco Rebelo (baixo), João Gomes (teclas), Márcio Silva (bateria) e Danilo Lopes e David Pessoa (vozes/guitarra) que regularmente tem explodido com incontrolável energia a pista de dança da Casa Independente - Lisboa.
Fogo Fogo são uma urgente manifestação de uma cultura que, qual vulcão, está prestes a explodir. Os músicos envolvidos são ultra-experientes, profundos conhecedores dos múltiplos grooves de inspiração africana e atiram-se a funanás coladeiras e a música de baile de festa africana como se 1987 tivesse sido anteontem.
Neste contexto assumem a mais primordial das missões: fazer dançar sem truques, apenas com energia de bpms carregados, com a bateria e o baixo em permanente derrapagem e os sons inspirados na "gaita" (a concertina) a comandarem a identidade melódica.
Depois de se terem estreado no Plano B a 19 de Novembro do ano passado, Fogo Fogo regressam e prometem fazer esquecer o frio do inverno portuense.