Numa noite que já era por si quente e num dia de tanto desespero pelo esgotamento dos bilhetes para o Alive!, a Everything is New conseguiu que o Coliseu dos Recreios se esquecesse muito do dia e se concentrasse num dos maiores guitarristas de todos os tempos.
A primeira parte ficou a cargo dos Miss Lava, já antes escolhidos para o início dos stoners Fu Manchu. Mais uma vez se ouviram as músicas do primeiro álbum Blues for the Dangerous Miles, nomeadamente o recém saído vídeo “Don’t Tell a Soul”.
Ao cair do pano, Lisboa ficou histérica. No escuro entra Slash e o seu companheiro de viagem Myles Kennedy (vocalista dos Alter Bridge), que ficou a cargo de substituir todos os grandes nomes que fazem parte do álbum homónimo de Slash. Para começar, a difícil tarefa de substituir Ian Astbury dos The Cult foi bem superada. Um início estrondoso com Ghost que abanou o Coliseu que viria a parar daí a pouco. Seguiu-se a ressuscitação do projecto Slash’s Snakepit com Mean Bone (originalmente pela voz de Rod Jackson) e a missão de Kennedy começava a agravar-se.
A associação de Slash aos Guns ‘n’ Roses, apesar de o abandono da banda já ter acontecido há tempo mais que suficiente, continua a ser inevitável. O projecto a solo parece querer cimentar essa associação e o público não se queixou, pelo contrário. Ao ouvir-se Night Train, saída de Appetite for Destruction, parecia subitamente que estávamos num concerto de Guns e o mesmo aconteceu à medida que as músicas dos míticos californianos iam surgindo. Dirty Little Things, dos Velvet Revolver, não pôs o público – maioritariamente menor de idade – a mexer. De resto, todas as músicas da banda antes encabeçada por Scott Weiland (Stone Temple Pilots) não fizeram grande sucesso entre o povo lisboeta. Aparentemente afastados do projecto “Slash” propriamente dito, volta Slash’s Snakepit com Beggars & Hangers On e Guns ‘n’ Roses com Civil War, ajudada pelos assobios do público e Rocket Queen com uma guitarra pesada como evidentemente, Slash exibiu durante todo o concerto.
Os [quase] clássicos Fall to Pieces e Sucker Train Blues dos Velvet Revolver, iniciada pela ostentação da bandeira portuguesa, fizeram possivelmente a fase de melhor prestação de Myles Kennedy e de Brent Fitz (a fazer um grande solo de bateria no final da Sucker Train Blues) – não se pedia nunca uma fase de acalmia, mas o público estava completamente imóvel. Volta-se então, depois de uma longa viagem ao passado, à razão que trouxe Slash aos dois Coliseus. Kennedy teria agora de substituir o vocalista dos Avenged Sevenfold, M. Shadows durante Nothing to Say ao mesmo tempo que empunhava a guitarra. Starlight, a primeira música que fizeram juntos, consta também do primeiro álbum a solo de Slash. Kennedy não podia mostrar melhor voz, sendo que é a sua voz que a representa também no álbum. Watch This, uma guitarrada monumental, gravada com Dave Grohl (Nirvana, Foo Fighters) e Duff McKagan ex-Guns ‘n’ Roses e actual Jane’s Addiction e Velvet Revolver, foi exibida com a maior classe por parte dos 3 guitarristas em palco. Quase a terminar a primeira parte, celebrou-se o aniversário do filho Cash McCall, à semelhança do que James Hetfield fez no Pavilhão Atlântico, Cash subiu ao palco e Lisboa cantou-lhe os parabéns, antes de Slash voltar aos solos estonteantes, agora sozinho em palco, antes de o resto da banda voltar para o tema de Godfather com o mesmo nome.
Depois de uma pequena pausa, Myles Kennedy regressa ao palco com uma t-shirt com um galo de Barcelos, à semelhança do que havia sido feito no dia anterior no Porto. Os primeiros acordes não enganavam, Sweet Child of Mine seguia-se e o público cantava enfurecido ao mesmo tempo que se levantavam dezenas de máquinas fotográficas. A noite já ia longa, mas era a vez de Kennedy mostrar que os Alter Bridge ainda não morreram e Rise Today puxou muito pelo público, aparentemente já cansado. Slither, mais uma vez dos Velvet Revolver, viria a terminar oficialmente a primeira parte.
De volta ao palco, By the Sword, gravada com a voz inconfundível de Andrew Stockdale dos Wolfmother, fez as honras da reabertura. Communication Breakdown dos Led Zeppelin não merecia menos que o esforço nos agudos de Kennedy e um solo de guitarra atrás das costas de Slash. Teria sido um final bem rematado, se não tivessem ainda na pele Paradise City, clássico original dos Guns, mas regravada em “Slash” com Fergie (Black Eyed Peas) e os Cypress Hill.
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Comentários
e é verdade, há quem goste mais e menos, e concordo com a/o Ella Maia desta vez. Já não tenho paciência pra repetir o porquê, é ler as coisas com atenção.
Tremeu quando o Slash fez a sua aparição inicial; a cada início de música; a cada final de música; quando se cantou os parabéns ao pequeno Cash e até quando o Slash e a mulher se beijaram o momento foi assinalado.
O Coliseu tremeu.
Pode não ter tremido com o barulho ensurdecedor dos muitos fãs que lá estiveram.
Pode não ter tremido todos os minutos e segundos das duas horas de excelente música que o Slash e o Kennedy (e companhia) nos proporcionaram.
Mas o Coliseu tremeu.
A emoção fez-se sentir sempre. Se não foi demonstrada de uma forma foi de outra.
Além de que, como seria possível ouvir os muitos solos de guitarra se não estivéssemos atentos?
Se o tremor de terra não foi forte para que todos sentissem, não foi, sem dúvida alguma, por falta de interesse ou por o cencerto não ser bom.
Simplesmente há diferentes formas de ouvir e apreciar a música.
Se houve alguma paralisia, não foi cerebral, foi por excesso de emoção.
Bem haja para todos, especialmente para o Slash.
Por fim:
Acho que este concerto foi muito mais que um cheirinho para o concerto dos GNR´s.
São um grupo excelente, mas já não são a mesma coisa sem o Slash.
Acredito que o "casamento" entre o Slash e o Axel foi um encontro entre duas almas iluminadas que, infelizmente, já acabou. Mas que deixaram muitas coisas boas que, ainda hoje, fazem muita gente boa perder a cabeça.
Aproveitemos a boa música que nos deram e continuam a dar. Ambos.
1) Se sabem que foi um bom concerto - e repito que é isso que é dito na reportagem - não procurem a nossa (minha e do Pedro) aprovação e sigam a vossa vida. Aceito os vossos comentários, mas não retiro palavras ao que escrevemos.
2) Reforço o que a/o R disse, ao contrário do que possam pensar (por alguma razão) nenhum repórter tem um sítio especial para ficar, estamos no meio do público como qualquer outra pessoa, ou em sítios ingratos, e quando não temos a percepção do que se passa (acontece às vezes), nem sequer comentamos isso. Neste concerto, estávamos os dois no meio do público.
3) Sei perfeitamente que havia pessoas a curtirem milhões o concerto, vi pessoas suadas e cansadas, simplesmente não faziam o Coliseu abanar. Repito mais uma vez, que não me interessam as razões para a apatia que vimos, até porque não sou nem vidente nem analiso personalidades. Entre a veneração ou o aborrecimento, nenhuma razão desse espectro é apontada na crítica.
Aprendam a respeitar o trabalho dos outros, mesmo que não concordem. Passarem para os insultos, como -eu- vi em comentários aqui que depois foram apagados, só vos tira a razão.
E percebam que não há interesse nenhum da nossa parte em inventar coisas. Escrevemos o que vimos e sentimos. Não tinha piada se gostássemos todos de amarelo.
há comentários tão carregados de ignorância que não merecem resposta, porque de nada valerá.
depois há outros recheados dela mas que não nos importamos de esclarecer, na esperança que erros desses não voltem a acontecer.
o teu, com muito boa vontade, entra na segunda categoria.
ora aqui vai então: os repórteres não têm um cubículo especial para eles, misturam-se SIM com a multidão. apenas não têm um passe brilhante ao peito a designar o que ali fazem. se há coisa que os repórteres fazem, é sentir o que se passa no concerto, no meio do resto do público.
Dizer que aquele moço o Slash é o melhor guitarrista do mundo é comparar a prima do mestre de obras com a obra prima do mestre.
As musicas dos velvet nunca em momento algum passaram despercebidas. Se ha musica que passou despercebida (mas não totalmente) foi a Rise Today dos alter bridge contrariamente ao que se foi dito acima.
É obvio que os reporteres raramente se misturam com a plateia em pé e isso da-lhes uma perspectiva completamente diferente do concerto. Eu ainda estou se voz de tanto gritar e os meus companheiros também isso é prova da nossa histeria